quarta-feira, 6 de março de 2013

De Lacerda.edu para EduardoPaes.gov

O jornalista Elio Gaspari prossegue em sua defesa pela integridade do projeto original do Parque do Flamengo e pede a atenção do IPHAN.

" Senhor prefeito do Rio de Janeiro,

Escrevo-lhe com autoridade: fui eu quem fiz o Aterro do Flamengo. Se não fosse a maluca da Lota Macedo Soares, miúdo vulcão de amor à cidade, aquilo seria um carrascal, parecido com as avenidas marginais dos rios de São Paulo. Foi ela quem concebeu a maravilha e eu quem pedi ao Instituto do Patrimônio Histórico, em 1964, que tombasse o parque. Tombado, não pode ter edificações adicionais que comprometam o seu espírito de área pública.

Aquela terra é do povo carioca. No governo do general Figueiredo, numa das tenebrosas transações da ditadura que ajudei a criar, ele transferiu a posse da área da Marina para a prefeitura do Rio e esta, concedeu-a a um grupo privado. Em bom português: surrupiaram um pedaço do parque. (De vez em quando vejo o Figueiredo por aqui. A Lota já tentou bater nele, mas o sujeito só conversa com cavalos.)

A `extrema leviandade´ dos poderes públicos transformou a área da Marina num mafuá e agora o filho do Eliezer Batista, a respeito de quem nada digo, porque não se pode contar aí o que se ouve por cá, anuncia que pretende revitalizá-la.

Quer construir um shopping center (50 lojas), um estacionamento (600 vagas) e um centro de convenções com capacidade para 900 pessoas anexos ao Hotel Glória, que é dele. Sei da extensão dos poderes do moço e lastimo que o senhor esteja fora dessa discussão. (Sei também que circula com assessores que carregam numa sacola o projeto do doutor, defendendo-o.)

O Iphan de Brasília teria dado um sinal verde preliminar ao projeto. A Lota, com sua fúria habitual, não entende como a presidente do Instituto, Jurema Machado, deixou a bola passar, pois numa reunião, há anos, lembrou que as obras, mesmo abaixo do nível do chão, poderiam impactar a intensidade do uso do parque.

Há mais de vinte anos, conselheiros do Iphan usam a palavra “privatização” para condenar a velhacaria. Eu não gosto disso, porque tenho horror ao PT. O que não não devemos aceitar é que se tome ao povo um espaço que é dele, transformando-o num empreendimento comercial.

O senhor sabe que o Rio precisa de centros de convenções. Sabe também que há um espaço reservado ao lado da estação da Leopoldina exatamente para isso. Sabe mais: que iniciativas desse tipo estimulam a revitalização de áreas degradadas, como fez Nova York com o Javits Center. O Aterro não está degradado, degradados estão os interesses que degradam-no.

O filho do Eliezer diz que fez um concurso internacional de arquitetura para escolher o projeto. O senhor acredita? Se o Iphan não defende o patrimônio da cidade, o senhor deve protegê-la. Basta zerar o velho cambalacho. Se o moço quer fazer uma marina, pode juntar-se à prefeitura. Esquece o centro de convenções, joga fora o estacionamento e põe as lojas no Hotel Glória. Peçamos a arquitetos de todo o mundo uma marina simples, pública.

Os mafuás erguidos no parque, e são muitos, nasceram do interesse predador de empresários amigos de presidentes, governadores e prefeitos. Eles são apenas espertos. Responsabilizá-los pela nossa leviandade é uma injustiça. Vá à luta. Defenda o parque que dei à cidade.

Saudações de um governante que amou o Rio, e é visto assim, mesmo por aqueles que o chamavam de Corvo.

Carlos Lacerda" 

Elio Gaspari

sexta-feira, 1 de março de 2013

REX/EBX: promessas descumpridas

Parque do Flamengo/Marina da Glória: terras públicas privatizadas

Confiram a apuração feita pelo secretário do Conselho Comunitário da Glória, Jorge Mendes, a respeito da reunião realizada na última segunda-feira, dia 25, com os moradores da Glória, Flamengo e Catete, além de representantes da sociedade civil e os dirigentes da REX/EBX, e que teve como pauta as obras realizadas e os impactos causados pelos empreendimentos em curso na região.

“Será feita uma ata, cuja responsabilidade pela redação é de um funcionário da REX. De um participante ouvi que a reunião esteve esvaziada, muito pouca participação. Imagino que o esvaziamento seja pelo fato de que o tal diálogo com a comunidade tenha se transformado em simples terapia de grupo.

De minha parte, à executiva da REX, disse que o elemento fundamental no diálogo, a confiança, não existe mais, pois o que havia se acertado em conversas anteriores não foi cumprido.

1) O gerente de entretenimento da Marina da Glória, em 2010, Vinícius Roriz (atual presidente da Comlurb) nos garantiu que o incomodo e o transtorno das raves na marina acabariam assim que terminasse o contrato assinado pela concessionária anterior, isto é, em agosto de 2011. Fomos enganados, pois as raves continuam muito mais barulhenta e ainda com mais vandalização ao Parque do Flamengo. Coisas impublicáveis ocorrem nas noites de sexta e sábado naquele trecho do parque. Pro Rio, essa vitalização da marina feito pelo Eike é presente de grego.

2) A intervenção urbana pretendida pela REX no entorno do Hotel, em que afeta basicamente a Glória, tem projeto para o parque Lúcio Costa. Isso também não foi cumprido pela REX, que disse que nos poria a par, mas que agora nos negam, com o blá blá de que está em estudo.

3) O mostrengo projeto de shopping e centro de eventos na Marina, que o eike não conseguiu aprovar no IPHAN Rio, foi levado, na calada, para o IPHAN Brasília, embora o tal eike tivesse daclarada publicamente que havia desistido do projeto.

A confiança, de minha parte, não existe mais. Chego considerar má-fé das pessoas da REX. Senti-me embromado por eles.”

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Nosso Parque do Flamengo: traído!

Vejam abaixo o trecho premonitório escrito pelo do arquiteto Paulo Santos, em seu parecer de relator, no processo de tombamento do Parque, e que as novatas autoridade do IPHAN querem ignorar, ou pior, trair:

[O conjunto deveria] "ser preservado, não só para que não seja alterado no seu traçado pelas administrações futuras, como para ser convenientemente conservado. (...) O perigo maior consiste na inclusão futura na área ajardinada, de pavilhões de diversão, restaurantes, cinemas e quejandas edificações, como assim bustos de figuras nacionais e etc, inclusão que, tendo a justificá-la o interesse prático ou cívico das iniciativas, poderá sacrificar irremediavelmente a beleza do conjunto" (Paulo Santos, relator, proc. de tombamento, IPHAN, 1965). grifos nossos 

Sábias palavras.  O pior é que, no caso, o interesse não foi cívico, e, se foi prático, há de se descobrir para quem, e como.

A dita aprovação de um projeto privado na área pública de uso comum do povo - no Parque do Flamengo/Marina da Glória - é um dos maiores escândalos fundiários na Cidade do Rio de Janeiro.

No ano passado, quando uma missão da UNESCO esteve na Cidade para avaliar a proposta da candidatura do Rio como Paisagem Cultural da Humanidade, não foi dito àquela instituição internacional que as autoridades municipais, em conluio com a federal pretendiam trair o projeto original do Parque, tombado pelo IPHAN, a pedido do então Governador Carlos Lacerda. 
O Parque foi apresentado como uma referência para o título, como se o seu projeto original fosse ser respeitado!  Dado o título, agora a traição!

O tombamento do projeto original do Parque do Flamengo foi decidido justamente porque, há mais de 47 anos, os seus criadores - especialmente Lota de Macedo Soares - sabiam da cobiça de alguns "empresários" que, aliados com maus governantes, resolvem sempre fazer e multiplicar suas riquezas através da tomada e da exploração do patrimônio público.  

Nossa história comprova esta triste tradição, cuja cultura ainda não foi superada.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Pelo replantio total das árvores do Parque do Flamengo


Foi criada uma campanha pelo replantio total das árvores do Parque do Flamengo, já que, atualmente, observa-se um grande déficit pela falta de reposição. 

Um grande descaso com o nosso patrimônio, vindo ao longo de várias administrações.

Juntos podemos fazer algo a respeito. Apoie essa ideia e assine a petição !

Clique neste link e leia mais sobre a questão.