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terça-feira, 12 de março de 2013

O silêncio da Prefeitura do Rio

Nota do jornal "O Globo" sobre o acidente ocorrido no dia 10 de março de 2013, no Parque do Flamengo, bem público de uso comum do povo, e que mais uma vez foi cenário da inconsequente realização de grandes eventos no espaço que recebe, sobretudo nos fins de semana, centenas de visitantes. 

Na data, uma a Ferrari que participava de um evento promocional no local, atropelou e feriu três pessoas. E a Prefeitura nada diz.


segunda-feira, 11 de março de 2013

Parque do Flamengo, todos os domingos: crianças, famílias, muitas bicicletas, transeuntes, corredores, carrinhos de bebê, pessoas deitadas na grama ou passeando.

Pistas fechadas para o lazer de pessoas em um Parque popular, o mais democrático e diversificado da Zona Sul/Centro da Cidade.  Vivo e harmonioso, cheio de gente e animais de estimação. Só não sabe disso quem nunca foi lá. 

Domingo, dia 10 de março de 2013, um desastre. A Prefeitura da cidade do Rio autoriza uma corrida automobilística na área de lazer do Parque - a "Street Race" como é chamada. Fecha com pequenas balizas parte das pistas de bicicletas e carrinhos de bebês, e as reserva para as Ferraris.

Barulho infernal. Às 12h40, uma das Ferraris perde o controle no final da pista e, para não seguir direto em frente, onde estava grande parte do público presente, invade o limite lateral cercado e atropela três cidadãos (veja as fotos).

A ambulância demora cerca de 10 minutos para chegar. Depois, o motorista da Ferrari, que estava escondido, sai escoltado pela Guarda Municipal. Povo revoltado. 

Domingo dia 9 de março 2013: o jornal "O Globo" exibe em sua página 27, manchete sobre "ciclistas, corredores e skatistas [que] disputam espaço na orla sem respeitar as regras"...

Estranho: o povo não respeita, é certo. E as autoridades., elas respeitam ?

O que dizer das autoridades que usam seu poder para "oficialmente" autorizarem atividades em lugares onde estas não se podem ser praticadas?  A autorização oficial não sana o vício! Ilegal, e daí?

Parque do Flamengo: parque-jardim, unidade de conservação, tombado como bem cultural paisagístico em seu projeto original, bem público de uso comum do povo, e portanto indivisível, inalienável, insusceptível de apropriação privada, sem atribuição de índices urbanísticos. Essa é sua natureza jurídica, que deve ser observada pelas autoridades públicas federal, estadual e municipal ao apreciarem pedidos de uso e ocupação do Parque do Flamengo, pedidos temporários ou definitivos. 

Mais do que isso é ilegal e ilegítimo. É compactuar e ser solidariamente responsável pelo "lazer de risco" da população. 

Confira mais registros exclusivos feitos pelo nosso site, presente no momento do acidente:


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Parque do Flamengo: plantando desastres?

Ao alto: Destaque exclusivo da estrutura segundos antes do acidente

O desastre que aconteceu no último sábado, 24, na área do Parque do Flamengo/Marina da Glória não é algo casual ou fruto da força maior do destino.

Ele foi e é de responsabilidade dos gestores daquela área pública, explorada até às entranhas pelo contratado privado, hoje o grupo EBX, do empresário E.Batista. Dele resultou a morte de uma pessoa, e ferimento de outras duas.

E por que aconteceu?  Aconteceu por consequência da ganância e da imperícia daqueles que exploram este bem público, somada à complacência das autoridades federais e municipal que permitem que isso aconteça.

Será que este desastre acordará os responsáveis e fará com que eles tomem a atitude que se espera deles?  Vamos cobrar...

O Governo Municipal é complacente por permitir e autorizar mega equipamentos provisórios, dentro de um parque público, declarado paisagem cultural mundial, subtraindo e destruindo parte substancial do parque e obstaculizando suas funções de lazer e de acesso público irrestrito.

O Governo Federal é triplamente responsável: por fazer vista grossa aos desmandos do Governo Municipal, complacente com o contratado - a EBX -  na gestão daquela parte do Parque.  

O órgão de preservação do Patrimônio - o IPHAN - não reage à altura do dano ao patrimônio mundial, a Secretaria de Patrimônio da União faz vista grossa à apropriação privada deste bem público e ministérios federais (no caso o do Desenvolvimento Agrário) ainda dá dinheiro público para que isso aconteça.

Tudo tem um objetivo último: de fazer com que a população esqueça de que a chamada área da Marina da Glória é uma área integrante, e indivisível de um bem público indivisível - o Parque do Flamengo - bem de uso comum do povo, e patrimônio cultural não só do povo carioca, fluminense, brasileiro, como também mundial.

Quem ama, cuida.  Amamos?

Não deixe de ver a série de fotos sobre a mega intervenção no local. Clique aqui.